Grupos Temáticos

 GT 01:  Pornografia e pós-pornografia: a partir da prática artística

Annie Sprinkle cunhou o termo pós-pornografia ao apresentar a performance Public Cervix Announcement (1990). Na época em que apresentou este trabalho, Sprinkle estava no fim de sua carreira como atriz pornô e começando a de artista. Na década de 1980, o Brasil teve seu Movimento de Arte Pornô1, como Eduardo Kac, Teresa Jardim, Glauco Mattoso, Braulio Tavares, Cynthia Dorneles, Leila Miccolis entre outres que formaram o grupo Gangue. Atuando na cidade do Rio de Janeiro, com ações diretas e indiretas que traziam em suas temáricas o corpo, nudez, sexulidade e pornografia.

A artista Bruna Kury apresentou em 2017 o projeto Pornopirata. Produzido pela própria Bruna como uma das intenções de renda financeira, a artista participa de feiras, principalmente, as de ruas, na qual vende seu material. Desta forma, toma para si o agenciamento de seu trabalho. Entre outras questões, o trabalho aborda novas possibilidades para uma pornografia que não esteja diretamente ligada às industrías machistas pornográficas e que operam não no intuito de aflorar a sexualidades das pessoas, mas se estabelece para fins do capital. Atualmente, acompanhando o trabalho de Kury, percebemos que a artista vem utilizando em seu discurso não mais a pós-pornografia, mas sim a ideia de pornoterrorismo2.

Este grupo temático tem como premissa a ideia de repensar a pornografia enquanto mecanismo da heterocisnormatividade, apresentando outras pornografias que podem partir da ideia de uma pós-pornografia ou o pornoterrorismo. 

Conheça as artistas: 

Annie Sprinkle: site
Bruna Kury: site

1 Ver: KAC, Eduardo. (2013). O Movimento de Arte Pornô: a Aventura de uma Vanguarda nos Anos 80. ARS (São Paulo), 11(22). 2013. p. 31-51. Disponível em: <link>. Acesso em: 08 de março de 2021.
2 Termo que a artista utiliza e inclusive que explicou em conversa com os organizadores do seminário.

 GT 02:  Teorias e práticas artísticas: queer, kuir ou cuir 

A teoria queer tem sua origem nas corpas marginalizadas nos guetos estadunidenses. Corpas de gays e lésbicas, mas principalmente de pessoas trans e travestis, onde tomaram para si o termo, pois lhes era proferido como forma de xingamento. Desta forma, essas corpas subverteram a expressão preconceituosa em argumentos políticos e de identidade. Teresa de Lautentis1 foi a primeira a propor a vivência queer enquanto teoria queer. No Brasil, começamos a repensar a teoria queer como uma teoria Transviad@s2 desenvolvida pela professora da UNB, Berenice Bento e, em seguida, a professora de Antropologia da UNESP, Larissa Pelúcio, "os estudos queer chegaram ao Brasil ele não entraram pela via das demandas e debates dos movimentos sociais, como nos Estados Unidos, mas pelas portas da academia.” (2014, p. 28)3.  Ponto importante para pensar esta teoria no trópico brasileiro. Por isso, propomos a reflexão da teoria queer, também, através da percepção e vivências no Brasil. Assim sendo, pensada em outras grafias e, consequentemente, compreendendo a realidade das corpas brasileiras. Corpas essas que são múltiplas, são kuir ou cuir. E como essas corpas vem produzindo e pensando arte num país que tem em suas estruturas sociais, políticas, econômicas e jurídicas: o racismo, o machismo e a lgbtqiap+fobia. 

Este grupo temático tem como responsabilidade trazer as questões queer por meio da produção e reflexão artística brasileire, mas não apenas enquanto obras, mas também acolher artistes queer, kuir ou cuir que não necessariamente abordem em suas produções suas vivências. 

1 LAURENTIS, Teresa de. Teoria queer, 20 anos depois: identidade, sexualidade e política. In: Pensamento feminista: conceitos fundamentais.Org. Heloisa Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro, 2019. Bazar do tempo. p. 397 - 409.
2 BENTO, Berenice. Transviad@s: gênero, sexualidade e direitos humanos. Salvador. EDUFBA. 2017.
3 PELÚCIO, Larissa. Breve história afetiva de uma teoria deslocada. Revista Florestan - Graduação Ciências Sociais - UFSCar. Editorial Ano 1 - Número 02 (2014) - Dossiê “Teoria Queer”. ISSN 2357-8300. Disponível em: <link>. Acesso em: 05 de março de 2021. p. 26 - 45.

 GT 03:  História, Teoria e Crítica: revisões contemporâneas para outras sexualidades

A sexualidade está presente nas nossas sociedades ao longo dos séculos. Consequentemente, as relações entre sexualidade e arte se estabeleceram no cotidiano, construindo discursos que foram e ainda são tencionados ao longo dos tempos. Muitas vezes, observamos pessoas falando ser contra obras que representam o corpo, nudez, erotismo, pornografia entre outros; que são temas que auxiliam na provocação aos nossos desejos secretos e outras sexualidades. Assim, indagamos o porquê ser contra esse processo de auto-entendimento sexual. 

Revisar estes contextos, não é sinônimo de confissões de verdades teóricas, mas uma atitude política com a própria história. Observando como, quem e onde, falou de sexualidade e assim vemos a força estrutural de um discurso social machista, racista, classista, lgbtqiap+fóbica, gordofóbica, entre outros tipos de preconceitos. Logo, é um ato político para olhar artisticamente entre passado e presente para pensar nossas sexualidades pelo viés da arte contemporânea. 

A partir do contexto atual de diversas censuras das propostas artísticas que levantam o debate das sexualidades no Brasil, levantamos a proposta de revisitarmos a história da crítica de arte, fazendo ressalvas e apontamentos pelo olhar contemporâneo sobre obras e momentos que foram julgados por um olhar conservador e retrógrado.


 GT 04:  Cânones e Iconografias da temática sexual nas artes visuais

Quando falamos em ARS SEXUALIS (artes sexuais ou artes sobre sexualidades), obviamente, lembramos de determinadas imagens, obras e artistas específicos. Há temáticas rotineiras na história da arte que geralmente atrelamos à essas representações de sexualidades, algumas delas são: a nudez; as relações entre deuses gregos e humanos; as grandes orgias pagãs; as pinturas feitas dentro de prostíbulos; as pinturas voyeurísticas e assim por diante. Existe também um repertório de nomes que geralmente perpassam quando começamos a estudar este tema, e assim alguns deles acabam se tornando certas marcas de estudos sobre as sexualidades das artes visuais, seja por suas polêmicas ou excelência em técnicas de composições artísticas.

Este grupo busca rever esses cânones da arte ocidental com um olhar crítico contemporâneo, queremos problematizar essas iconografias que perpassam a história da arte e ainda são feitas releituras das mesmas questões até hoje. Por que ainda utilizamos temáticas tão antigas para falar de sexualidades contemporâneas? Existem novos signos e códigos para representarmos as sexualidades? Como identificamos e nomeamos esses códigos?


 GT 05:  Feminismos, raça e gênero: dissidências na Arte Contemporânea

Um dos pontos que perpassa todo o seminário é o pensamento decolonial e interseccional. Com isso, achamos justo montarmos um grupo temático para os estudos feministas e amefricanos1 dentro das artes. Queremos provocar os estudiosos de gêneros a pensarem em sexualidades localizadas no sul global2, com suas histórias, especificações, representações e complexidades. Aos estudos feministas, levantamos a questão plural do movimento, isto é, lembrarmos que não existe uma teoria e vivencia feminista apenas, mas incontáveis modos de viver e ver o feminismo. Lembrar que existem movimentos como o feminismo trans e/ou transfeminismo, o feminismo das trabalhadoras sexuais, o feminismo lésbico, o feminismo marxista, entre outros. Nesta proposta, teremos trabalhos que mesclam a teoria, a prática artística e o ativismo político, tendo assim uma multidisciplinaridade entre as ciências humanas. 

1 GONZALES, Lélia. A categoria político-cultural da Amefricanidade.  In: Pensamento feminista: conceitos fundamentais.Org. Heloisa Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro. Bazar do tempo. 2019. p. 341 - 352.
2 HOLLANDA. Heloisa Buarque de. Pensamento Feminista Hoje: Sexualidades no Sul Global. Rio de Janeiro. Bazar do tempo. 2020.

 GT 06:  Contrassexualidade: outras fronteiras para a Arte Contemporânea

Entendemos a contrassexualidade como um movimento cultural, social, político, econômico, jurídico, científico e artístico, ou seja, um dispositivo. O dispositivo de sexualidade1 se apresenta agora como dispositivo de contrassexualidade2 no intuito de não apenas tencionar o “cis-tema” heterocentrado, mas de subvertê-lo a ponto de romper com suas binariedades, centralização das zonas erógenas, rever as identidades e os contratos estabelecidos. A contrassexualidade através da reflexão que se propõe não “nega a natureza, mas a pensa por meio de outras possibilidades”3. Deste modo, entendemos sua interseccionalidade com a arte dentro de seus mecanismos.

Em suma, esse grupo temático tem como objetivo debater a contrassexualidade pelo viés da arte e seus desdobramentos. Pensar discursos que confrontam as hegemonias artísticas e sexuais, assumindo uma reflexão contrassexual.

1 Ver Michel Foucault - História da Sexualidade, volumes 1, 2, 3 e 4.
2 Ver Paul B. Preciado - Manifesto Contrassexual (2017).
3 Preciado, 2017. p. 21. Ver: PRECIADO, Paul B. Manifesto contrassexual.; tradução Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: n-1 edições, 2017.

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