Movimentos

O Ars Sexualis 2023 organiza-se a partir de 04 chaves de movimentos.

DecomporAção

Quando corpa.e.o.s bichas, sapas, queers, trans, negras, indígenas, dissidentes são atacadas pelas estruturas sociais, seus territórios se tornam espaços de resistência e luta, assim como suas próprias vivências corporais. Luta-se pela terra e pelo quilombo da mesma forma que se luta pelo direito de existir a partir de suas vontades e desejos. Desse modo, as disputas por espaços dentro de uma sociedade que distancia ao invés de unir é uma das chaves de decomposição, mas não a fim do simples destruir, mas de contraproduzir e além disso retomar estes espaços. Uma das forças motrizes dessa luta é a ancestralidade de povos originários que mais do que nunca vêm apontando a necessidade de nos reconectarmos com as florestas e as águas. Outra força dessa luta é quilombola que também a cada dia que passa vem lutando para existir e ser respeitada com dignidade. As lutas também são formas de existir de corpa.e.o.s trans e não-bináries que são apagadas pelo Estado que ainda é binário. DecomporAção é um movimento da decomposição que não apenas deseja decompor esse sistema social opressor, mas tomar as dores e cicatrizes como potência para a prática artística, uma vez que esta é importante aliada na contraprodução de subjetividades, individuais e coletivas.

De(re)comporEco

Além das lutas das corpas dissidentes e marginalizadas pelo sistema vigente, as interseccionalidades que nos compõem têm afirmado a importância da atenção que devemos dar para as questões ambientais, como dito acima. Não adianta lutarmos por nossas vivências se ao mesmo tempo consumimos desenfreadamente dos elementos que constituem a natureza, como a terra e os rios, a floresta de modo geral. É urgente que se elaborem outras formas de sermos e existirmos a fim de respeitar os solos que pisamos e as águas que bebemos. Ana Mogli Saura e Ailton Krenak nos dão caminhos, algumas pistas. É tempo de reconexões entre nós humanos com os demais seres vivos, não-humanos, com a natureza e só vamos compreender, de fato, essa conexão quando ouvirmos e praticarmos o que as ancestralidades nos dizem.

DecomporSexuais

Quando falamos sobre o ser e o exitir de corpa.e.o.s bichas, sapas, queer, trans, negras, indígenas, dissidentes… estamos também apontando que suas sexualidades também são decompostas em práticas que o cistema (de cisgeneridade normativa) dita como regra, marginalizando também essa intersecionlidade que compõe nossas subjetividades. As contraproduções decomposexuais se dão no sentido de registrar que parecemos corpos, corpas e corpes decompostos jogados por aí, após tantas agressões, mas que as nossas sexualidades também são energias que nos motivam na luta pela vivência digna.

DecomporArte

Quando pensamos nas decomposições citadas acima, as fazemos visando as urgência dos debates que interseccionam as possibilidades de existências ecos, corporais e sexuais e aqui evocamos as Artes Visuais para assumir suas responsabilidades. Atualmente, as instituições artísticas/acadêmicas vêm sendo, cada vez mais, ocupadas por corporalidades de artistes e pesquisadores indígenas, negras, queers, dissidentes, mas ainda há muito a ser feito, afinal não basta que ocupem esses espaços mas que encontrem meios de se manterem.